DENGUE
Resumo
A dengue é
hoje uma das principais endemias brasileira, em razão do alto
número de pessoas que são acometidas todos os anos em
praticamente todo território nacional. O estado de São Paulo
convive com essa doença ininterruptamente desde o início da
década de 90. É causada por um vírus e transmitida por mosquitos
do gênero Aedes, principalmente por Aedes aegypti.
A falta de uma vacina que possibilite a imunização da população
exposta, aliada à grande adaptabilidade ao ambiente urbano dos
mosquitos vetores, dificultam o controle dessa endemia. O
controle é baseado principalmente no combate a focos do
mosquito, daí a importância de participação de toda a população,
visto que a grande maioria dos focos são encontrados em
residências e imóveis comerciais. As atividades de combate à
dengue envolvem os três níveis de governo (municipal, estadual e
federal), cada qual com suas atribuições e atividades bem
definidas. A identificação de pessoas acometidas, além de
possibilitar aos gestores acompanhar a distribuição e evolução
da doença, permite intensificar as ações de controle em áreas
onde está ocorrendo transmissão.
Epidemiologia
Doença
febril aguda, de etiologia viral, transmitida por vetores
artrópodes. O agente é um arbovírus, pertencente à família
Flaviviridae.
De curta duração, a doença apresenta evolução benigna na maioria
dos casos. Caracteriza-se por um princípio brusco, podendo
apresentar as seguintes formas clínicas: Dengue Clássico, Dengue
Hemorrágico e Síndrome do Choque do Dengue. Recentemente se tem
acrescentado mais uma forma, o dengue clássico com complicações.
Atualmente é a mais importante arbovirose que acomete o ser
humano, e constitui-se em sério problema de saúde pública no
mundo. Com exceção da Europa, ocorre em todos os continentes.
Dissemina-se nas áreas tropicais e subtropicais, onde as
condições do meio ambiente favorecem o desenvolvimento e
proliferação do mosquito transmissor Aedes aegypti. No
estado de São Paulo foi identificada a transmissão em período
recente no ano de 1987. A partir de 1990, todos os anos há
registro de transmissão, com intensidade variável.
Figura:
Incidência anual, número de casos autóctones e de municípios
com transmissão de dengue. Estado de São Paulo, 1987 a 2006
Modo
de transmissão
O
mosquito, ao picar uma pessoa doente, infecta-se com o vírus da
dengue, assim permanecendo para o resto de sua vida. Quando vai
alimentar-se novamente, de uma pessoa sadia, injeta juntamente
com sua saliva, o vírus da doença, completando o ciclo de
transmissão.
Período de incubação
No homem,
período de incubação é o tempo que decorre desde a picada
infectante e o aparecimento de sintomas podendo variar de 3 a 15
dias, sendo, em média, de 5 a 6 dias.
Período de transmissibilidade
O período
em que o vírus está presente no sangue,é o período de
transmissibilidade, também chamado período de viremia. Este
período começa um dia antes do aparecimento dos sintomas e vai
até o 6º dia da doença.
Vacina
Atualmente, existem várias pesquisas buscando desenvolver uma
vacina eficaz contra o vírus da dengue, sendo considerado uma
prioridade pela OMS, devido ao alto investimento na manutenção
de estruturas de combate ao vetor Aedes aegypti e pelo
sucesso adquirido na produção de vacinas, como o da febre
amarela, com excelente capacidade imunizante.
No entanto, o desenvolvimento dessa vacina tem frustrado a
comunidade científica, devido à necessidade de a vacina ter que
imunizar contra os quatro (4) tipos de dengue, com alta
eficiência, para evitar o mecanismo fisiopatológico que
desencadeia o dengue hemorrágico.
Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz) tem trabalhado
no desenvolvimento de pesquisas nessa área e esperam a produção
de vacinas daqui a dez anos.
Vetores
São
considerados vetores, mosquitos do gênero Aedes,
principalmente o Aedes aegypti e Aedes albopictus.
Apesar de serem insetos que podem sobreviver alimentando-se de
sucos vegetais, as fêmeas necessitam de sangue para a maturação
dos ovos. Daí sua importância na cadeia de transmissão da
doença, pois ao picar uma pessoa infectada pelo vírus, as fêmeas
se contaminam, transmitindo a doença posteriormente a outras
pessoas sadias quando vão realizar novo repasto sanguíneo.
Devido a seu hábito de colocar seus ovos em recipientes
artificiais, adaptaram-se facilmente ao ambiente domiciliar e
convívio com o homem.
Agente Etiológico
O agente é
um arbovírus, termo que designa organismos que são transmitidos
por artrópodes, pertencente à família Flaviviridae, que reúne 68
espécies, das quais cerca de 30 causam doenças ao homem. São
conhecidos 4 sorotipos causadores de dengue, classificados como:
DEN-1, 2, 3 e 4.
Sintomas
A dengue
clássica apresenta-se como doença incapacitante, com início
abrupto e febre alta, cefaléia intensa, dor retroorbitária,
mialgias, artralgias, astenia e exantema. Também podem ocorrer
vômitos e petéquias ou outras formas de hemorragia. A duração da
doença é de 5 a 7 dias. A recuperação é, principalmente, em
adultos, acompanhada de fadiga prolongada e depressão.
A dengue hemorrágica é caracterizada por febre alta, fenômenos
hemorrágicos, freqüentemente hepatomegalia e, nos casos severos,
falência circulatória caracterizando a síndrome de
choque da dengue. Esta forma clínica se inicia com
quadro similar ao da dengue clássica, cujas manifestações se
mantém durante as primeiras 48 horas de doença, podendo se
estender por mais alguns dias. Após o 3º ou 4º dia da doença, há
redução da febre e intensificação da dor abdominal e
manifestações hemorrágicas.
Profilaxia
Devido a
inexistência de vacina e de métodos para combate aos vírus, a
forma de evitarmos a proliferação da doença é combatendo o
vetor, principalmente evitando locais com acúmulo de água
parada, como vasos e pratos para plantas, pneus, latas,
garrafas, caixas d’água destampadas, ralos, etc.
Controle
O controle
executado no estado de São Paulo (e que basicamente segue as
diretrizes preconizadas pelo Ministério da Saúde), está baseado
na visita sistemática aos imóveis existentes em áreas de
características urbanas, para orientação da população,
eliminação em conjunto com o responsável pelo imóvel dos
recipientes em condições de se tornarem criadouros dos vetores e
na aplicação de inseticidas químicos naqueles onde não houver
outra forma de atuação. Dependendo da situação da área onde se
está trabalhando, pode-se utilizar produtos fornecidos pelo
morador e que tenham algum efeito sobre o ciclo de vida do
mosquito, como sal, detergente, água sanitária, entre outros.
(Fonte - Sucen)